segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Veja análise da Via Campesina do relatório sobre Código

Por Via Campesina Brasil
        

Código Florestal - Análise do relatório do senador Luiz Henrique


O relatório do Senador Luiz Henrique, apresentado na última terça (25/10) na comissão de Ciência e Tecnologia e de Agricultura e Reforma Agrária, mantém o mesmo eixo do projeto aprovado na Câmara dos Deputados, de autoria do deputado Aldo Rebelo.

Houve algumas modificações na estrutura, deixando o texto mais fácil para vetos presidenciais. Separou-se as questões conceituais das questões de regularização. Mas ficou apenas nisso. Os principais pontos problemáticos continuam no texto:

AnistiaSerão isentas de recuperação todas as áreas consolidadas até 2008. Nenhuma pena ou exigencia, para quem agrediu o meio ambiente ate 2008. Ou seja, quem está plantando soja transgênica na beira do rio poderá continuar a plantar. É a continuidade da emenda que os ruralistas aprovaram na Câmara, piorando ainda mais o texto do deputado Aldo Rebelo (Artigo 53)

Garante a manutenção de pastagem em topos de morro e bordas de chapada. (Artigo 54 §1º)  A pastagem é um monocultivo que praticado em areas de risco, como topos de montanha e beira de rios, traz muitas consequencias ao meio ambiente.

Acesso por parte dos grandes proprietários de fundos públicos para recuperar os desmatamentos que fizeram ilegalmente (Artigo 41, inciso VII)

Data para regularização
O texto aceita o conceito de áreas consolidadas para todo o desmatamento feito até julho de 2008. É inaceitável que os desmatamentos feitos já no século XXI sejam considerados como legítimos! O mínimo aceitável seria considerar a data da última alteração do Código Florestal, que ocorreu em 2001. Não há qualquer justificativa, nem legal, nem científica, para que o ano de 2008 seja colocado como data de corte.

Agricultura Familiar
Continua tratando igual agricultura familiar e propriedades com 04 módulos rurais. Não trabalhou com um capítulo específico. Nesse sentido, há um acordo construido por todas os movimentos sociais do campo e o movimento sindical, ou seja da contag, fetraf e via campesina, para apresentarmos uma emenda substitutiva no senado, que cria um capitulo específico, apenas para a agricultura familiar.  Esperamos que passe nas próximas comissões.

Latifúndio improdutivo

O texto considera como área consolidada aquelas que estão paradas, improdutivas, há 10 anos ou menos. Ou seja, além de legitimar o latifúndio improdutivo, o texto possibilita novos desmatamentos, já que com 10 anos a vegetação regenerada já é abundante. (Artigo 3, incisos V e IX)

Copa do Mundo
O texto libera o desmatamento em Áreas de Preservação Permanente para eventos internacionais e para construção de estádios, aumentando os grandes impactos da Copa do Mundo e das Olimpíadas. (Artigo 3, inciso VIII, alínea b; Artigo 8, §1º)

Áreas de Preservação Permanente
O texto autoriza o plantio de árvores produtoras de frutos ou outros produtos em áreas de APP, abrindo espaço para a citricultura, as borracheiras etc (Artigo 3, inciso X, alínea i)

O texto excluí os apicuns e salgados da categoria de APP, justamente as partes dos Mangues onde se desenvolve a predatória indústria da carcinocultura, ecossistema fundamental para a reprodução de inúmeros animais. Regulariza também todas as industrias da carcinocultura que já estejam instaladas. (Artigo 4, §3º; Artigo 53 §1º)

Novas supressões poderão ser feitas para implantar lavouras, como soja, cana (Artigo 8).

Reduz a APP de 30 para 15 metros para recuperação nos casos que não forem consolidados. (Artigo 54 §1º)

Reserva Legal
Permite compensar a reserva legal desmatada dentro do mesmo bioma, possibilitando a criação de desertos verdes imensos, como no caso do estado de São Paulo (tenderá a ser um imenso canavial). Ou seja, o sujeito tem duas propriedades no mesmo bioma, da mata atlantica, por exemplo. Num deles proprio para agricultura ele pode desmatar tudo, e diz que esta conservando o segundo que fica numa encosta, num outro estado. 

O texto  Permite também que terras compradas de agricultores familiares e tenham reservas, sejam usadas para essa compensação. (Artigo 59)

Mantém a possibilidade de que médias e grandes propriedades possam se subdividir em propriedades de 04 módulos e, com isso, ficarem livres de recompor a Reserva Legal desmatada.  Ou seja, mantem a gravidade de que ate 4 modulos (que na amazonia da 500 hectares, nao precisa respeitar a reserva legal de 80% e nem no Cerrado de 40%.;

Continua permitindo a recuperação da Reserva Legal com 50% de espécies exóticas.  Ou seja, as grandes empresas de celulose, podem considerar o monocultivo de eucalipto, como parte da reserva legal... Isso vai abrir brecha para entrada rapida do eucalipto na pre-amazonia e de maranhao, e nos cerrados do Piaui..

Cadastro Ambiental Rural

Para se regularizar, os grandes proprietários precisarão apresentar apenas um ponto georreferenciado, ficando isento de apresentar o perímetro exato da propriedade. (Artigo 18, §1º)

Mercantilização da Natureza
Possibilita que grandes proprietários recebam pagamentos por serviços ambientais para manterem a sua obrigação de preservar APP e RL, invertendo totalmente o conceito de função social da propriedade. (Artigo 42)

Cria a Cota de Reserva Ambiental (CRA), que transforma cada hectare de floresta em títulos que deverão, obrigatoriamente, ser registrados na bolsa de valores. Assim, o capital financeiro transformará nossas florestas em título especulativo! Além do mais, os desmatadores poderão “compensar” as florestas que eram obrigados a proteger comprando na bolsa de valores! (Artigo 46)

Uma vez comercializada a CRA, o agricultor que se arrepender não poderá retirar sua floresta do sistema financeiro, a não ser que o comprador garanta a aquisição de outra área (ou outra cota). (Artigo 49, §1º)

Silvicultura
Silvicultura é reconhecida, para fins da Política Agrícola Nacional, igual a agricultura (Artigo 69).


Concluindo, o relatorio do senador Luiz Henrique (PMDB-SC)  foi coerente com sua classe, a dos grandes proprietarios de terra.  E manteve na essencia, o que ja veio da camara dos deputados.   Esperamos que agora as comissões de meio ambiente e de agricultura do Senado, mudem essa logica.   E na pior das hipoteses, a Presidenta  Vete, os artigos mais estafurdios que colocam em risco o meio ambiente do territorio brasileiro, com graves consequencias para toda sociedade, que vive no meio rural e nas cidades.



Brasilia, 27 de outubro de 2011.

Avaliação  da equipe da Secretaria Operativa

da Via campesina Brasil.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

IDH do Brasil cresceu; A qualidade de vida da população: nem tanto

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil avançou de 0,715 em 2010 para 0,718 em 2011, e fez o país subir uma posição no ranking global do Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH) deste ano. Com isso, o Brasil saiu da 85ª para a 84ª posição, permanecendo no grupo dos países de alto desenvolvimento humano. O documento foi lançado esta quarta-feira (02/10) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), em Copenhague, na Dinamarca.
O IDH é uma medida média das conquistas de desenvolvimento humano básico em um país. Como todas as médias, o IDH mascara a desigualdade na distribuição do desenvolvimento humano entre a população no nível de país. O IDH 2010 introduziu o IDH Ajustado à Desigualdade (IDHAD), que leva em consideração a desigualdade em todas as três dimensões do IDH “descontando” o valor médio de cada dimensão de acordo com seu nível de desigualdade.
Com a introdução do IDHAD, o IDH tradicional pode ser visto como um índice de desenvolvimento humano “potencial” e o IDHAD como um índice do desenvolvimento humano “real”. A “perda” no desenvolvimento humano potencial devido à desigualdade é dada pela diferença entre o IDH e o IDHAD e pode ser expressa por um percentual.
O IDH do Brasil para 2011 é 0,718. No entanto, quando é descontada a desigualdade do valor, o IDH cai para 0,519, uma perda de 27,7% devido à desigualdade na distribuição dos índices de dimensão. O IDHAD, que vem complementar a leitura feita pelo IDH, mostra que o cidadão brasileiro médio teria quase 30% de risco de não conseguir alcançar o desenvolvimento humano potencial que o país tem para lhe oferecer em função dos obstáculos que as desigualdades podem lhe impor.
Nesta área, o Brasil se insere em um contexto semelhante ao da América Latina, onde a desigualdade – em especial de renda – faz parte de um passivo histórico que ainda representa um grande obstáculo para o desenvolvimento humano. Mas o relatório elogia os esforços e avanços da região na tentativa de reduzir estes números, e faz menção às conquistas de Argentina, Brasil, Honduras, México e Peru. O Relatório atribui os avanços, em parte, à melhor cobertura na educação básica e aos programas de transferência de renda.
(O texto acima foi retirado do site oficial da ONU-Brasil)

É por isso, que nem sempre podemos ater somente aos números, segundo o IDH o Brasil é considerado um país desenvolvido, porém quando olhamos para o país notamos que esses números não refletem na sociedade.
A nossa educação está muito defasada, pois houve aumento da escolarização, mas a qualidade das escolas públicas e muitas privadas estão bem abaixo dos países desenvolvidos, o SUS não funciona como deveria e nem todos têm acesso a prevenção e cuidado da saúde, além de termos uma alta concentração de renda e terra.
Nós só poderemos considerar o país desenvolvido quando percebermos que a educação chegar a qualidade necessária, quando todos tiverem acesso ao cuidado e prevenção de doenças e quando for resolvido o problema de concentração de renda e fundiária, do contrário esses números continuarão sendo apenas números.

Consequencias da crise grega


Código Florestal e o princípio da imprecaução

Por Dal Marcondes
Da Carta Capital


O Senado Federal vai votar nos próximos dias um projeto que pode mudar de forma definitiva o mapa florestal brasileiro, em função de interesses que em mais de um ano de discussões na Câmara e, agora, no Senado, não ficam claros para a maioria da sociedade.
De um lado se alinham ambientalistas, cientistas e pesquisadores de diversas instituições, além de 80% da população, segundo pesquisa realizada pelo Datafolha. De outro, os dois relatores do projeto, o ex-deputado e agora ministro dos Esportes Aldo Rebelo (PCdoB-SP), o atual relator no Senado, senador Luiz Henrique Silveira (PMDB-SC) e um grupo de ruralistas aquartelados na Confederação Nacional da Agricultura sob o comando da senadora Katia Abreu, recém aderente ao PSD de Gilberto Kassab.

Rebelo passou todo o tempo em que foi responsável pelo projeto de lei do novo Código Florestal na Câmara tentando desqualificar seus opositores, colocando todos em um balaio de detratores da pátria, gente a serviço do imperialismo internacional que não deseja ver o desenvolvimento do Brasil. Ignorou as contribuições oferecidas pela ciência através de documentos da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e da Associação Brasileira de Ciência (ABC), além de estudos desenvolvidos pelo IPEA – Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas.
Para José Goldemberg, físico, ex-ministro e ex-reitor da Universidade de São Paulo, o projeto que caminha a passos largos para ser aprovado no Senado ignora uma das linhas de conduta básicas da ciência, o princípio da precaução: “No caso de florestas, decisões equivocadas podem implicar sua destruição, o que poderá ter consequências irreversíveis que afetarão não só a atual geração, mas também gerações futuras. Neste caso, é essencial adotar o Princípio da Precaução, que foi incorporado à Convenção do Clima adotada na Conferência do Rio, em 1992, e ratificada pelo Congresso Nacional”, explica Goldemberg em recente artigo.

E ele não está sozinho. Campanhas realizadas através de mídias sociais e internet mostram alguns dos mais importantes cientistas e intelectuais brasileiros pedindo por precaução nas mudanças ao Código Florestal, que uma vez implantadas vão se refletir na perda de grandes áreas, além de transformar cidadãos respeitadores da lei, que mantiveram intactas em suas propriedades as Áreas de Preservação Permanente (APPs) e Reservas Legais, em verdadeiros otários. Pois outros, que trabalharam à margem da lei, cortando a mata em lugar de preservá-la, serão beneficiados.
Em recente campanha pelo site de vídeos YouTube, personalidades como os economistas José Eli da Veiga e Ricardo Abramovay se manifestaram contrários às mudanças, juntamente com inúmeros cientistas, pesquisadores, artistas e militantes ambientais. E brotam posts sobre o tema, em sua maioria contra o novo projeto, em todas as chamadas mídias sociais.

Em estudo realizado pelo IPEA (Instituto de Pesquisas Econômica Aplicada) e disponível em seu site, os pesquisadores procuraram calcular a área de reserva legal que deixará de ser recuperada em caso de aprovação do projeto de lei. A partir desse cálculo, foram estimados os impactos que essa perda representaria para os compromissos brasileiros de redução de emissões de carbono (CO2) assumidos internacionalmente. Por esse estudo o Brasil deveria ter 258,2 milhões de hectares de Reserva Legal, mas apenas 98,9 milhões têm efetivamente a floresta preservada. O passivo total é de 159,3 milhões de hectares que já foram ilegalmente desmatados.
O estudo também alerta para a impossibilidade de o Brasil cumprir os compromissos de redução de emissões de gases estufa que a então chefe da casa civil, e hoje presidenta, Dilma Rousseff, assumiu publicamente na conferência do clima realizada no final de 2009 em Copenhague, na Dinamarca.

Entre os argumentos usados pelo ex-deputado e atual ministro para mutilar o Código Florestal em vigor, está o fato de que ele foi aprovado em 1965, durante a ditadura militar. Essa é apenas uma meia verdade, pois o código não veio de uma canetada de generais, mas sim de planos de desenvolvimento que vinham sendo trabalhados muito antes, na mesma lógica da construção de Brasília. Era, e ainda é, uma lei que regula a interiorização dos brasileiros e impõe limites à ganância daqueles que trabalham apenas com uma visão de lucro no curto prazo. Predadores que se apropriam dos recursos naturais, os exaurem e seguem em frente.

Outro ponto levantado pelos defensores da liberação das regras de preservação florestal é que esse tipo de legislação em defesa das florestas não existiria em nenhum outro lugar. “É uma lei jabuticaba”, dizem em referência à fruta exclusiva do Brasil. Esse argumento foi desmontado por um estudo realizado pelo Imazon – Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia, em uma pesquisa realizada em parceria com o The Proforest Initiative, organização ligada à universidade inglesa de Oxford, mostra que a proteção das florestas está longe de ser uma “jabuticaba”, não é uma invenção brasileira.
O estudo, coordenado pelo pesquisador Adalberto Veríssimo, um dos mais respeitados estudiosos da Amazônia, mostra que países como Alemanha, França, China, Índia, Indonésia, Japão e até os Estados Unidos têm leis específicas para a proteção das florestas. No caso norte-americano, por exemplo, no âmbito federal, a conversão de áreas intactas de Florestas Naturais é proibida pela Lei Florestal Nacional (National Forest Roadless Area Conservation Act.12). O manejo de florestas em terras privadas é geralmente controlado na esfera estadual e varia entre os Estados norte-americanos. O texto “Um resumo do status da floresta em países selecionados” está disponível no site do Imazom.

Entre os ambientalistas que estão na linha de frete da militância contra as alterações do Código Florestal existe a certeza de que as mudanças propostas resultarão em um expressivo aumento no desmatamento no Brasil.
Vale lembrar que entre os países do mundo que mais emitem gases de efeito estufa (CO2), o Brasil ocupa o décimo-quarto lugar se o desmatamento ficar fora da conta. Mas a conta não é essa quando se inclui o desmatamento, assim pulamos para o quarto lugar. Mario Mantovani, diretor de mobilização da organização SOS Mata Atlântica, que trabalha com o tema desde os anos 1970, acredita que ainda é possível reverter o quadro no Senado e derrubar as alterações que estão sendo propostas. As principais são: isenção de obrigatoriedade de Reserva Legal para propriedades de até quatro módulos fiscais, redução das Áreas de Preservação Permanente ao redor de rios, nascentes e cursos d’água e liberação do uso de encostas e topos de morro para a produção agrícola.
Parece pouco, mas os cientistas alertam para enormes impactos em preservação da qualidade da água e na manutenção da biodiversidade, fauna e flora que precisam dessas áreas para manterem seus refúgios de vida. “Me param na rua e perguntam se não podemos fazer alguma coisa contra isso”, diz Mantovani, que praticamente mudou de São Paulo para Brasília para realizar um trabalho cotidiano de convencimento dos parlamentares.

Nos próximos dias e semanas o Senado vai votar para decidir o modelo de desenvolvimento que deseja para o País, se baseado na contínua predação de recursos naturais ou com a inclusão e participação de pesquisadores e cientistas na busca de mais produtividade e da incorporação de enormes territórios já desmatados, exauridos e abandonados em todos os biomas brasileiros.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

O real problema do semi-árido brasileiro

Por Márcio Malta (Nico)

737 donos do mundo controlam 80% do valor das empresas mundiais

Um estudo de economistas e estatísticos, publicado na Suíça neste Verão, dá a conhecer as interligações entre as multinacionais mundiais. E revela que um pequeno grupo de actores económicos – sociedades financeiras ou grupos industriais – domina a grande maioria do capital de dezenas de milhares de empresas no mundo. Por Ivan du Royseu.

O estudo, na fronteira da economia, da finança, das matemáticas e da estatística, é arrepiante. Três jovens investigadores do Instituto federal de tecnologia de Zurique1 examinaram as interacções financeiras entre multinacionais do mundo inteiro. O seu trabalho - “The network of global corporate control” (“a rede de controlo global das transnacionais”) - examina um painel de 43.000 empresas transnacionais (“transnacional corporations”) seleccionadas na lista da OCDE. Eles dão a conhecer as interligações financeiras complexas entre estas “entidades” económicas: parte do capital detido, inclusive nas filiais ou nas holdings, participação cruzada, participação indirecta no capital...


Resultado: 80% do valor do conjunto das 43.000 multinacionais estudadas é controlado por 737 “entidades”: bancos, companhias de seguros ou grandes grupos industriais. O monopólio da posse capital não fica por aí. “Por uma rede complexa de participações”, 147 multinacionais, controlando-se entre si, possuem 40% do valor económico e financeiro de todas as multinacionais do mundo inteiro.

Uma super entidade de 50 grandes detentores de capitais

Por fim, neste grupo de 147 multinacionais, 50 grandes detentores de capital formam o que os autores chamam uma “super entidade”. Nela encontram-se principalmente bancos: o britânico Barclays à cabeça, assim como as “stars” de Wall Street (JP Morgan, Merrill Lynch, Goldman Sachs, Morgan Stanley...). Mas também seguradoras e grupos bancários franceses: Axa, Natixis, Société générale, o grupo Banque populaire-Caisse d'épargne ou BNP-Paribas. Os principais clientes dos hedge funds e outras carteiras de investimentos geridos por estas instituições são por conseguinte, mecanicamente, os donos do mundo.

Esta concentração levanta questões sérias. Para os autores, “uma rede financeira densamente ligada torna-se muito sensível ao risco sistémico”. Alguns recuam perante esta “super entidade”, e é o mundo que treme, como o provou a crise do subprime. Por outro lado, os autores levantam o problema das graves consequências que põe uma tal concentração. Que um punhado de fundos de investimento e de detentores de capital, situados no coração destas interligações, decidam, por via das assembleias gerais de accionistas ou pela sua presença nos conselhos de administração, impor reestruturações nas empresas que eles controlam... e os efeitos poderão ser devastadores. Por fim, que influência poderão exercer sobre os Estados e as políticas públicas se adoptarem uma estratégia comum? A resposta encontra-se provavelmente nos actuais planos de austeridade.

Artigo de Ivan du Roy, publicado em Basta!, traduzido por Carlos Santos para esquerda.net

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

IBAMA em ação


A reforma agrária como solução para os problemas ambientais


Sabemos que a preservação ambiental é um tema que “está na moda”, ela é divulgada pelos meios midiáticos e está presente no discurso do Estado, no entanto esses meios tratam o “homem” como causador e/ou acelerador dos problemas ambientais.
No entanto o problema vai muito além disso, não podemos pôr a culpa no humano em si, pois o problema é estrutural, diferentemente do que é divulgado não há como haver desenvolvimento sustentável dentro do sistema o qual somo regidos, pois preservação ambiental e crescimento econômico são contraditórias.
Recentemente, o mundo passou a contar com cerca de 7 bilhões de pessoas e a partir de então ressurgiu diversas dúvidas, como por exemplo, até quando a terra produzirá suficientemente para todos os habitantes do planeta? Sabemos que atualmente alimentos não faltam, na verdade faltam-se meios que permitam o acesso a toda população a ter o que comer.
Para se ter uma ideia, o Brasil joga na lata do lixo o equivalente a R$ 12 bilhões em alimentos por ano. Essa montanha de comida daria para alimentar cerca de 30 milhões de pessoas, ou 8 milhões de famílias durante um ano inteiro.
Esse cálculo foi feito pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.  E segundo estimativas da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação, a FAO, 10% dos brasileiros são desnutridos. Somam 17 milhões de pessoas que vivem com fome ou não comem o suficiente para manter a saúde. Dentro desse contingente, há mais de cinco milhões de crianças e idosos, os que mais sofrem com a desnutrição.

Esses números comprovam que alimentos se têm em fartura. Destaca-se ainda que além do desperdício doméstico, existe ainda o desperdício nos setores de produção e comercialização o que aumentaria ainda mais esses números.
Destaca-se que os grandes responsáveis por esse número são na verdade os grandes latifundiários. Pois além da produção em extensas áreas de produtos que visam à industrialização e a produção de biocombustíveis, muitos alimentos são desperdiçados diariamente por que não atingem o padrão necessário à exportação.
Por outro lado, o camponês trabalha para seu auto sustento, sendo assim aproveita tudo que é produzido, grande parte fica em suas casas enquanto o pouco que sobra é vendido para obtenção de outros produtos necessário à família.
Portanto, o problemas ambientais que presenciamos é culpa do sistema econômico a qual somos regidos, pois ele visa apenas o capital e ignora todos os problemas ambientais que a industrialização e o crescimento econômico reflete na natureza.
Quando o estado e a mídia (que também estão a serviço do capital) dizem que estão preocupados com o meio ambiente é apenas uma farsa, pois a única preocupação deles é com o econômico, eles sabem o quanto eles afetam o meio ambiente e consequentemente sabem que é necessário garantir reservas naturais para que futuramente possam utilizá-las para seu interesse econômico.
Neste sentido, devemos notar que apenas uma verdadeira reforma agrária pode resolver de verdade os problemas ambientais e econômicos de nosso país e do mundo, pois ninguém melhor do que o camponês para cuidar do meio em que vive, pois aquele que tem a terra como seu meio de produção e de seu auto sustento sabe o quanto ela é importante, e consequentemente a utiliza verdadeiramente de forma sustentável.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

As ONGs como instrumentos do Imperialismo


Hoje, se fala muito sobre “desenvolvimento sustentável”, e no seio desse debate surgem várias ONGs que afirmam está a favor da conservação ambiental, como é o caso de ONGs e projetos financiados por organizações que, no nosso entendimento, parecem desenvolver atividades estreitamente vinculadas aos interesses imperialistas na região Amazônica: Woods Hole Research Center-WHRC, Large Scale Biosphere Atmosphere-LBA, World Wildlife Fund-WWF, The Nature Conservancy – TNC, Conservation International CI , Fundação Ford – FF, Novib, Oxfam, International Food Policy Research Institute - IFPRI, Instituto Lingüístico de Verão - SIL, New York Botanic Garden - NYBG, Instituto de Pesquisas da Amazônia - IPAM, Universidade da Flórida, PESACRE entre os outros.
O fato é que essas ONGs principalmente na Amazônia apresentam a “conservação ambiental” como uma forma de desenvolvimento econômico, no entanto por trás da falácia da preservação ambiental existem grandes financiamentos por parte dessas ONGs de grandes empresas multinacionais e universidades estadunidenses e europeias. E essas grandes empresas são grandes responsáveis pela degradação de nosso meio ambiente o que configura uma grande contradição. Além dos financimentos essas organizações internacionais operam também na amazônia diretamente em projetos de seus interesses. Podemos afirmar que esses projetos são financiados e desenvolvidos por agentes estreitamente interligados aos interesses do capital monopolista internacional, principalmente estadunidense.

As ONGs incentivam os moradores locais a preservarem a Amazônia, mas engana-se que elas fazem isso pensando na questão ambiental, pelo contrário, elas estão ali para garantir os interesses de seus financiadores, como nós sabemos a Amazônia é rica em minério, mas além disso, sua biodiversidade traz consigo uma gama de plantas que podem ser utilizadas na fabricação de remédios medicinais, e sua fauna por mais incrível que pareça também sua utilidade medicinal, existe por exemplo na Amazônia, um sapo que solta uma substância que pode ser usada no uso de anestesia.

Nesse sentido elas atuam não somente na intenção de conter os movimentos sociais que procuram realmente a conservação da natureza, como também garantir suas reservas ambiental-econômica, pois As ações dessas ONGs estão envoltas de um emaranhado de relações e de interesses do sistema atual vigente, visando o ramo da biotecnologia, que tem sua principal fonte de recursos nas matérias primas das áreas de florestas tropicais, e em especial a Amazônia.

Quem se interessar mais sobre o assunto pode baixar o artigo de Nazira Correia Camely, que é baseado na sua tese de doutorado que tratou sobre esse tema, o endereço para baixar o artigo é:

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Wall Street em foto e charge

Traduzindo a foto: erro de sistema - Capitalismo está caindo! Instalar novo sistema?

O sucesso fantástico do Ocupar Wall Street


O movimento Ocupar Wall Street – por enquanto é um movimento - é o acontecimento político mais importante nos Estados Unidos desde as mobilizações de 1968, das quais é descendente directo ou continuação.
Nunca saberemos com segurança porque começou nos Estados Unidos neste momento – e não três dias, três meses, três anos mais cedo ou mais tarde. As condições estavam lá: um crescente e agudo sofrimento económico não apenas para os realmente miseráveis, mas para um segmento cada vez maior de trabalhadores pobres (também conhecido como “classe média”); exagero incrível (exploração, ganância) dos 1% mais ricos da população dos EUA (“Wall Street"); o exemplo das explosões de indignação em todo o mundo (a "Primavera árabe", os indignados espanhóis, os estudantes chilenos, os sindicatos de Wisconsin, e uma longa lista de outros). Não importa realmente qual foi a faísca que ateou o fogo. O certo é que começou.
No primeiro estágio – os primeiros dias – o movimento era um punhado de audaciosos, na maioria jovens, que estavam a tentar manifestar-se. A imprensa ignorou-os totalmente. Até que alguns estúpidos capitães da polícia pensaram que um pouco de brutalidade poria fim às manifestações. Foram filmados, e o filme tornou-se viral no YouTube.
Isso trouxe-nos para o estágio dois – a publicidade. A imprensa já não podia ignorar inteiramente os manifestantes. Tentou então a condescendência. O que é que esses jovens tolos e ignorantes (e algumas mulheres mais velhas) sabiam de economia? Tinham algum programa positivo? Eram "disciplinados"? As manifestações, disseram-nos, cedo iriam fracassar. O que a imprensa e os poderes constituídos não contavam (eles nunca parecem aprender) é que o tema do protesto repercutisse amplamente e pegasse rapidamente. Cidade após cidade, começaram “ocupações” semelhantes. Começaram a aderir desempregados de 50 anos. Celebridades fizeram o mesmo. Assim como os sindicatos, incluindo nada menos que o presidente da AFL-CIO. Por esta altura, a imprensa fora dos Estados Unidos já começava a acompanhar os acontecimentos. Perguntados sobre o que queriam, os manifestantes responderam: "justiça". Mais e mais pessoas começaram a achar que essa resposta tinha sentido.
Chegámos então à terceira fase – a legitimidade. Académicos de certa reputação começaram a sugerir que o ataque a "Wall Street" tinha alguma justificação. De repente, a principal voz da respeitabilidade centrista, o The New York Times, publicou um editorial em 8 de Outubro onde afirmava que os manifestantes tinham, efectivamente, "uma mensagem clara e propostas políticas específicas" e que o movimento era "mais do que uma revolta juvenil". E o Times prosseguia: “A desigualdade extrema é a marca de uma economia desfuncional, dominada por um sector financeiro impulsionado tanto pela especulação, pela extorsão e pelo apoio estatal, quanto pelo investimento produtivo." Uma linguagem forte para o Times. O Comité da Campanha Democrata no Congresso começou então a fazer circular uma petição a pedir aos apoiantes do partido que declarassem: “Estou com os protestos Ocupar Wall Street."
O movimento tornara-se respeitável. E com a respeitabilidade veio o perigo – fase quatro. Um grande movimento de protesto que vingou enfrenta em geral duas grandes ameaças. Uma é a organização de uma contra-manifestação significativa da direita nas ruas. Eric Cantor, o líder republicano do Congresso, de linha dura (e bastante astuto) já apelou, na verdade, a que isso fosse feito. Estas contra-manifestações podem ser bastante ferozes. O movimento Ocupar Wall Street precisa estar preparado para isto e pensar numa forma de lidar ou conter essas iniciativas.
Mas a segunda e maior ameaça vem do próprio sucesso do movimento. À medida que atrai mais apoio, amplia a diversidade de pontos de vista entre os manifestantes activos. O problema aqui é, como sempre é, como evitar o Cila de ser um culto estreito que se iria perder, devido à sua base reduzida, e o Caríbdis1 de deixar de ter coerência política por ser muito amplo. Não existe uma fórmula simples para evitar qualquer destes extremos. É difícil.
Quanto ao futuro, o movimento pode ir de vento em popa. Pode ser capaz de fazer duas coisas: forçar a reestruturação de curto prazo do que o governo fará realmente para minimizar o sofrimento que as pessoas estão, obviamente, a sentir intensamente; e concretizar uma transformação de longo prazo da forma como grandes segmentos da população americana encaram a realidade da crise estrutural do capitalismo e as grandes transformações geopolíticas que estão a ocorrer, porque estamos a viver num mundo multipolar.
Mesmo que o movimento Ocupar Wall Street começasse a definhar devido ao cansaço ou à repressão, já conseguiu um enorme sucesso e vai deixar um legado duradouro, tal como as mobilizações de 1968. Os Estados Unidos mudaram, e numa direcção positiva. Como diz o ditado, “Roma não foi construída num dia.” Construir um novo e melhor sistema-mundo, um novo e melhor EUA, eis uma tarefa que exige esforço constante de sucessivas gerações. Mas um outro mundo é realmente possível (embora não inevitável). E nós podemos fazer a diferença. O Ocupar Wall Street está a fazer a diferença, uma grande diferença.
Immanuel Wallerstein
Comentário nº 315, 15 de Outubro de 2011
Tradução, revista pelo autor, de Luis Leiria para o Esquerda.net
1 A expressão «Entre Cila e Caribde» (Grande Dicionário Enciclopédico da Verbo, 1997) ou «entre Cila e Caríbdis» (Dicionário de Frases Feitas, de Orlando Neves, 1991) é uma forma invulgar que corresponde à tão conhecida «entre a espada e a parede» e que representa a sensação de se estar «num dilema, em perigo iminente, em grande dificuldade». Esta expressão deve-se a uma realidade de grande perigo por que passavam os marinheiros quando passavam no estreito de Messina, pois ao fugirem do Caribde (um turbilhão que aí se formava), iam muitas vezes contra Cila, rochedo pouco distante da costa de Itália. Por isso também existe a expressão «fugir de Cila para cair em Caribde» para exprimir a ideia de «evitar um perigo e cair noutro maior» (Grande Dicionário Enciclopédico, in Ciberdúvidas da Língua Portuguesa)

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Copa 2014 no país do futebol... e da miséria... e da corrupção...




O SUS e a precariedade do atendimento à saúde no país


Hoje, dia 25, médicos  de vários estados do país resolveram manifestar-se contra a precariedade da saúde no país, como afirma o presidente da Federação Nacional dos Médicos (Fenam), Cid Carvalhaes, ele diz que a paralisação dos médicos que prestam atendimento pelo SUS nesta terça-feira (25) é apenas uma das ações dentro de uma “mobilização nacional” da categoria para que a população perceba os problemas do sistema de saúde público do país.
 
Segundo ele, todos os atendimentos de emergência e urgência serão realizados.

A paralisação foi aderida pelos médicos de cerca de 20 estados. Nos demais, haverá manifestações. Os estados que aderiram são: Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Rondônia, Santa Catarina e Sergipe.

Em outros dois estados a paralisação será pontual: em Santa Catarina, deve ocorrer durante a tarde e durar cerca de uma hora; em São Paulo, deverá ocorrer apenas em algumas unidades, diz a Fenam. Nos outros estados e no Distrito Federal foram programadas manifestações públicas em protesto contra a precariedade da rede pública.

Em Mato Grosso, a Fenam divulgou que haverá paralisação, mas as entidades que representam a categoria no estado negaram a informação. Os médicos pedem um piso salarial de R$ 9.188,22 para uma jornada de 20 horas semanais de trabalho, além de melhores nos recursos humanos e materiais nos hospitais e postos de saúde.

Sobre o fato de Paraná e Mato Grosso do Sul não terem aderido à paralisação, Carvalhaes informou que a decisão sobre a forma de integrar a mobilização foi tomada separadamente pelos médicos de cada estado e que, em ambos, a categoria está unida e optou por fazer manifestações em locais fechados.
(o texto acima é baseado no site da G1)

É válido toda e qualquer manifestação em prol da melhoria da saúde no país, no entanto devemos apenas fazer uma correção, o presidente da FENAM disse que isso tem como objetivo mostrar a população o problema da saúde pública no país. No entanto, ninguém mais que a população brasileira sabe mais como é precária a assistência à saúde no Brasil.

Eu trabalho como agente de saúde, e o que mais ouço são reclamações com o SUS, no entanto o problema não está no sistema único de Saúde, mas sim no modo que nossos governantes administram. Em todos os hospitais públicos do país o atendimento é precário , falta médicos, materiais nos hospitais e postos de saúdes, remédio para a população além da demora para marcação de exames e consultas.

São poucos os médicos que querem trabalhar no SUS, pois de acordo com que ele ganham em seus escritórios particulares o salário pago pelos serviços do SUS torna-se muito pouco, assim preferem trabalhar em suas clínicas do que ser funcionários do governo.

Muitos médicos acabam também não atendendo a população como deveria, e em todo país ouvimos casos de negligência médica, o fato é que o SUS, com seus princípios de equidade, integralidade, universalidade, participação da comunidade, descentralização politico-administrativa e regionalização é muito bonita no papel porém na prática nada disso acontece e assim a população que mais usa o SUS é a que mais sofre com essa precariedade. O fato é como ouvi uma vez: “O SUS não funciona em nosso país, porque tem princípios socialistas em um país capitalista”. Isso só mudará quando nossos governantes não pensarem mais somente no econômico, mas sim no social..