sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Água no semi-árido

Esse vídeo assim como os dois abaixo são vídeos feitos por mim, nos sítios Simpatia e Encantado, que mostra uma nova visão do semi-árido brasileiro.


Seca e chuva no Semi-árido

Vídeo sobre o semi-árido

Belo Sertão

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Revisando a visão do semi-árido



Quando se ouve falar em semi-árido, a visão de grande parte da população é semelhante ao que se vê na imagem ao lado. Um lugar onde há pouca água, pouco alimento, pouca vida e nenhuma perspectiva futura dos homens que nela vive.







Mas outra imagem está sendo imposta na cabeça das pessoas, pelos grupos determinantes em nossa região: a visão do agronegócio, como eles dizem "uma paisagem antes seca dá o lugar para a fruticultura irrigada no Vale do São Francisco.



Para muitos essa é ma visão moderna, onde o inimaginável acontece, pois como sabemos o pólo Petrolina-Juazeiro, se tornou uma região respeitada, graças a sua grande exportação de frutas, isso sem contar que dentre essas frutas se encontra a uva, fruta típica de regiões úmidas, mas que adaptou-se muito bem a essa região. Porém é necessário notar que os grandes beneficiados com tudo isso, são uma parcela mínima da população, a qual detém todos os lucros do agronegócio.
Portanto, é necessário "revisar nossas visões", relato isso porque as vezes acabamos nos alienando com todo esse processo, nos orgulhamos de está em uma região "próspera" e nos esquecemos que enquanto aquela parcela mínima da população se beneficia em todos os sentidos, existem ainda muitas pessoas sendo tratadas piores que animais dentro da mesma região, pois enquanto estão exportando alimentos, essas pessoas muitas vezes esquecidas pela sociedade, continua passando fome.
Observamos aqui, os dois lados de um mundo voltado para o capital. Pois se fosse verdade aquela primeira visão onde no semi-árido há escassez de água, por que então muita água é utilizada diariamente para a fruticultura?
Sabemos que o semi-árido tem seus grandes problemas, mas como já dizia Dom José Rodrigues, "no semi-árido não falta água, falta justiça!". Aqui chove mais que a Europa, nossa região tem uma média de 700mm anuais, os comuns períodos de seca acontecem devido a dois fatores: a alta taxa de evapotranspiração 3000mm anuais, e a concentração de chuvas durante três ou quatro meses, enquanto os demais meses do ano são caracterizados pelo "sol escaldante", como diz o povo na região.
Então se aqui tem água, por que ainda sofremos por falta dela principalmente na área sequeira? Nisso implica a segunda parte da frase do Bispo, Justiça!, o que nos falta, são políticas públicas voltadas para o povo como um todo, e não projetos que estejem a serviço da classe dominante.
É comum ouvirmos que agora os sertanejos vivem melhor devido ao bolsa família por exemplo, mas quando analisamos esse benefício em sua totalidade, percebemos que isso não é só um meio de amenizar as revoltas populares, mas também um jogo político que faz o povo contentar-se com o pouco que recebe, sem perceber que se houvesse projetos de convivência com o semi-árido, voltado para não só a construção de cisternas, mas também que visem a vida econômica da população como por exemplo, a agricultura familiar. Pois não adianta ter água no copo se não há uma comida "decente" em seu prato. Pois a "esmola" que essas famílias recebem auxiliam na hora de fazerem seuas compras, porém não é suficiente para ter em sua mesa verduras e carne todos os dias.


Várias são as discussões a respeito da convivência com o Semi-árido, e hoje existem vários grupos como a ASA (Articulação do Semi-Árido), IRPAA (Instituto Reegional da Pequena Agropecuária Apropriada), e são várias os projetos científicos onde mostra que é possível conviver com o semi-árido, de uma forma até mesmo, sustentável e de baixo custo, diferentemente de projetos faraônicos como a Transposição do São Francisco.
E uma prova de que é possível está inclusive na irrigação, onde se todo o investimento feito fosse revertido à população não veríamos mas as cenas de pessoas morrendo de fome ou de sede. Pois métodos de convivência existem só faltam políticas que se voltem não apenas para o capital, mas sim para o homem.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Dualidades no Pré-sal

Com pré-sal, Brasil pode deixar de ser país 'mais desigual do mundo', afirma Dilma Rousseff. “O pré-sal é do povo” diz O Presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.

Essas são frases que ouvimos de nossos governantes sobre a exploração do pré-sal, eles falam todas as vantagens desse passo que o Brasil dá em relação a exploração do petróleo, onde nosso país, que atualmente ocupa o 24o. lugar entre as maiores reservas de óleo e gás no mundo, poderia passar para o oitavo ou nono lugar, posições hoje ocupadas por Venezuela e Nigéria, respectivamente. Em termos de incremento das reservas, o salto representaria um crescimento dos atuais 14,4 bilhões de barris de óleo equivalente para algo entre 70 bilhões e 107 bilhões de barris de óleo equivalente.

Porém no meio dessas vantagens e desse discurso surge a dúvida: será que realmente o lucro provido a partir da exploração do petróleo vai ser utilizado para benefício da população? Ou será que mais uma vez, como é comum em nosso país, ela servirá apenas a camada dominante de nosso país?

Perguntado se com a exploração do pré-sal, o preço da gasolina iria diminuir, o ministro de Minas e Energia Edison Lobão afirmou que isso não ocorrerá. Eis então a contradição se o Brasil irá produzir mais petróleo é normal que com mais produto no mercado diminuísse assim o preço dos derivados do petróleo, na Venezuela, por exemplo, a gasolina equivale a 9 centavos, sabemos é claro que sua população é bem menor que a brasileira, porém isso não justifica essa diferença brutal de preços sendo que Brasil pretende produzir tanto quanto ela.

Acrescenta ainda a essa série de interrogações o fato de se o petróleo do pré-sal é do “povo brasileiro” porque então algumas empresas privadas inclusive multinacionais ficarão com grande parte dos lucros? É certo que a Petrobras operará todos os blocos do pré-sal que ainda não foram licitados e terá uma participação de pelo menos 30% em cada um deles, mas ainda é pouco se pensarmos no que isso pode vir a ser aplicado realmente para benefício da população, lembrando que a Petrobras apesar de ser uma empresa estatal, tem acionistas privados.

Então devemos antes de nos gabar pelo feito, devemos no entanto nos questionar quais reais benefícios para a população, lembrando que essa exploração deverá inclusive acarretar uma série de problemas ambientais.

Geografia: Ciência humana ou exata?

Sabemos que a geografia é uma ciência humana mas será que a geografia ensinada nas escolas é uma geografia crítica proposta por geógrafos renomados como Milton Santos, ou ela é tratada de forma objetiva, Exata?


Sabemos que o objeto de estudo da geografia é a superfície terrestre, e nele está inserido o relevo, a vegetação, a hidrografia, mas também está inserido o homem que muitas vezes é esquecido dentro do contexto geográfico. Nas escolas vemos uma geografia que está a serviço da ideologia dominante, onde se preocupa em estudar o físico esquecendo (intencionalmente), que dentro desse espaço físico há o homem, que por sinal domina esse espaço ocupando-o e modificando-o.


Não quero dizer aqui que devemos esquecer o físico, longe disso, até por que antes da faculdade, os mapas eram o meio que me aproximaram da geografia, mas o estudo do meio físico devem vir acompanhado do humano.

Por exemplo, podemos ver num mapa de vegetação a divisão da mesma, só que nem sempre ou mesmo nunca ela mostra os reais valores em área dessa vegetação, vemos por exemplo a Mata Atlântica recobrindo grande parte do litoral, porém sabemos, que devido ao uso de um "melhor condição de vida" voltada para a tecnologia e o consumo essa área encontra-se totalmente modificada pelo homem.


Assim, todos nós geógrafos-educadores, devemos levar para a sala de aula um novo jeito de ver a geografia e não aquela empregada pelos dominantes na visão atual de nossos alunos. queremos uma geografia humana e não uma geografia exata que muitas vezes encontramos em nossas escolas públicas ou particulares.